domingo, 31 de agosto de 2014

Baile do eu só

A valsa do desassossego
Pegou-me pelos dedos
Para uma dança cordial
E neste ritmo sem Romeu
Quem bailou na solidão
Até os joelhos irem ao chão
Fui eu.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Virgínia P. H.

Andei três quadras
Virei à esquerda
Andei mais duas
Entrei à direita

18 horas e 14 minutos
Buzina que desatina
Gritaria furiosa
Abri a segunda porta
E me vi em pleno caos
Era Virgínia P. H.
Jeitosa que furtou de mim
O que há de melhor:
Quatro garrafas de vinho

Uma semana e meia de sono 
Fragmentos da minha sanidade
Mas não coube em tua bolsa
O que viria a ser saudade.

domingo, 24 de agosto de 2014

Nota mental

Não sei mais
O que fazer
Para você
Poder notar
Que se eu te faço
Em poesia
É para você
Versi(ficar).

Xodó

Tu és aquele frio na barriga
Que sempre me intriga
Quando ficamos tão grande
Ao alto da roda gigante.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Meio amargo

Deixei meus resquícios
Para tu notares
Que se eu sou o cacau
Tu és o achocolatado
Que se eu sou Brás Cubas
Tu és Machado
Que se eu sou o limão
Tu és a caipirinha
Mas caso tu sejas o frio
Eu serei a espinha.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estrutura

Eu, que sempre fui
Uma mera introdução,
Vi-me organizada 
Em um contexto de 
Dois pontos de vista
No qual não me canso
De argumentar para que
Demore a chegar em
Uma única conclusão.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Maria Cuervo

Provei sossegar minh'alma aflita
Tomando chá de camomila
Logo eu assim tão sóbria e severa
Acalentei-me em doses de tequila.

Não há motivos para esta embriaguez
Só estou exausta de especulações
Enquanto o mundo gira na insensatez
Vou me livrando das opressões.

Floresci para ser o que eu quiser
Mas para ti sou rude meretriz
Se transei, se fumei ou se bebi 
Lembre-se: foi porque eu quis.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Pé de amora

Entre minhas infinitas 
E confusas veredas
Borboletas insistem 
Em visitar meu estômago
Sempre que teus toques 
Semeiam meus instintos
E colhem do meu fruto,
Florescendo por minh'alma
Puro êxtase em primavera.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Psicose

Profanei tua loucura
Por ser minha sanidade
Despeço-me de ti
Sem lhe dar fidelidade.

Em dias arrastados
Procrastinei nosso amor
Burlei um beijo lúcido
Por não querer teu ardor.

Perdão pelas ladainhas
Em felicidade de ficção
Prometo não ser devaneio
Na tua próxima ilusão.

domingo, 10 de agosto de 2014

Réu

Não segure o fardo
Caso eu não atinja
As inúmeras expectativas
Não há culpados
Em terra adubada
Jurei acalmar essa
Tormenta dentro de mim
E caso eu decida partir
Não pense em descaso
Ou até mesmo em injúria
Pois acredite:
Tu és o meu melhor abrigo.

sábado, 9 de agosto de 2014

Epílogo

Feri-me forte
Com as serras
Do teu 
Fúnebre amor
Para não partir
Na incerteza
De um vazio
Que me corrói
Entre as artérias
E no final
Desta angústia
Constar que
- sem embargo –
Permaneço vivo.

sábado, 2 de agosto de 2014