quinta-feira, 18 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Relato de um resfriado

Tão forte quanto
O bibelô de Ibiza
Que enfeita meu criado.

Tão ereto quanto
O galho seco envergado
Por conta de uma brisa.

Tão enérgico quanto
A tartaruga de casco gasto
Que corre pela muda de alecrim.

Tão desperto quanto
O gato devasto
Esparramado no jardim.

domingo, 14 de junho de 2015

A borboleta

Presto bem a atenção
No semáforo verde
E atravesso entre
Os carros
Ouvindo Beatles,
Quando a borboleta
Aparece na janela
Do quinto andar
Na mesma hora que a folha
Cai da árvore
No quarteirão debaixo,
E perdão por não ter
Escutado você me chamar,
Mas eu estava ocupada
Lembrando do que comi
No jantar.
Aprecie mais as borboletas.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Vire à esquerda

É difícil não saber
Qual é o caminho certo
Ao menos uma vez,
Ou duas,
Pelo menos três,
Para eu saber a hora
Em que devo virar
Ou permanecer
Na próxima quadra
Que indica que devo ir
Ao menos uma vez.
Fui.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Brigadeiro

O amor pode ser
Com Ana,
Pedro,
Lúcia,
Roberto,
Até mesmo entre
Você e o brigadeiro
Da padaria,
Que tem amor
Entre Danilo e João,
Antônia e Otávio,
Jussara e Marisa,
Que tem amor de sobra,
Do tipo que rende
Muitos brigadeiros
De colher, enrolado
E sem granulado,
Sendo sempre brigadeiro.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Meia azul

Admiro quem come pipoca 
E não reclama do resto de milho
Que gruda no dente, 
E ás vezes não lembra 
De se desligar do mundo 
Porque está pensando 
Na garota de meia azul 
Que canta Caetano. 
Deveríamos cantar mais Caetano. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Strawberry fields forever

Ás vezes eu penso
Que talvez você
Seja a cor
Do meu sabor preferido,
Mas também pode ser
O sabor de uma música
Dos Beatles
Que o Paul ainda 
Não saiba,
E tudo bem se você for
O cheiro do meu toque,
Ou até mesmo
A voz que se cala
Quando eu fanfarro
Por dentro,
Mas desde que seja
Você.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Achados e perdidos

Ando meio confuso
Sobre o número
Do telefone de casa,
Até mesmo sobre a rua
Do lugar onde trabalho,
E até me pergunto
Por onde anda
As chaves para não 
Ficar para fora,
Ou até mesmo
Por onde foi que eu
Deixei meus óculos,
Mas sempre que me dá
Uma brecha
Eu gosto de me confundir,
Em você,
Para ver se, 
Ao menos assim,
Eu me encontro.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Meio-dia para uma

Já dizia a vovó
Para eu não tomar
Leite com manga,
Pois seria fatal,
Assim como atravessar
A Vargas andando 
Em horário de pico
- Que não é o da neblina -
E que tira qualquer um
Do sério
Por mais engraçado
Que seja
A vida 
Ao meio-dia
E meia,
Mas que faça
Eu me sentir
Inteiro.

domingo, 10 de maio de 2015

Você não é todo mundo

Esqueci a toalha 
- Mais uma vez -
E lá estava você 
Na porta do banheiro 
Para me socorrer
Antes que eu me atrasasse 
Para a aula,
Sendo que você me acordou
Pelo menos três vezes, 
Porque na noite anterior
Eu voltei tarde para casa,
Mas mesmo assim 
Você não dormiu 
Enquanto não escutou
A porta do quarto bater,
E se eu reclamasse
Dizendo que a mãe
De todo mundo 
Não é assim,
Você diria que 
Eu não sou todo mundo,
E ainda bem,
Porque todo mundo
É muita gente para
Ter que dividir você.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Fim

Era como tarde da noite
Em pleno meio-dia
Sentindo o suposto perigo
Por andar sozinho
Em um mar de rosas
Com espinhos
Ou tomar leite com manga
Perto da vovó
Enquanto você me olha
- Desapontada -
Por eu ter lhe dado
Spoiler do novo episódio
Do seu seriado preferido. 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Estrela cadente

É sempre bom quando
O céu da minha boca
Fecha ao sentir
A sua língua
Provocando uma
Chuva de meteoros
Enquanto fazemos
De nós dois
Um eclipse 
Particular.

sábado, 11 de abril de 2015

Vertigem à trois

A labirintite
Fez com que eu te visse
Meio embaçada
Com cores indefinidas
Como sua bochecha verde
E três de você
Que se juntasse
Não dava uma,
Mas meio tonto
Eu pude notar
Que os seus 
Três sorrisos
De dentes avermelhados
Eram os mais bonitos
Que eu já vi.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Aquarela

O verde 
Parecido com o azul
Que se confunde
Com o cinza da nuvem
Que paira em minha mente
Feito o vermelho
Que passa em minhas veias
Tão imperceptível
Quanto o roxo que apareceu
Em minha coxa
Causado pelo desastre amarelo
Que sou em pessoa,
Mas nada se compara
Com o lilás
Que insiste em aparecer
Quando selo
Sua bochecha.

segunda-feira, 23 de março de 2015

A visita

Pedi que não se assustasse
Quando olhasse o meu lado
Mais escuro
Tipo a luz do quarto
- Queimada há dias -
Ou
Como a cor dos seus olhos
Quando olho
Assim,
Devagarinho,
Feito domingo, 
Esse dia que passa
Assim,
Devagarinho,
Mas não se apavore:
Troco a lâmpada
Quando quiser 
Entrar.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Respeitável público

Engraçado como o teu olhar
Faz malabares dentro
Do meu peito palhaço
- Sem graça -
Sempre que você passa
Brincando no trapézio
Das minhas cordas vocais
Impedindo-me de dizer
Que tu és o meu melhor
Espetáculo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Xarope

Esqueci que era terça-feira
E trouxe o material da quarta,
Mas me lembrei do cartão,
Que eu sempre esqueço
E acabo barrado na portaria.
Difícil é esquecer o guarda-chuva
Quando a sua mãe diz que vai chover.
Acredite: vai chover!
Tomei chuva, adoeci e esqueci
- Mais uma vez -
De comprar o remédio,
Que nunca sara o meu resfriado.
Jurei também que te esqueceria
- E esqueci -
Mas é terça-feira,
O dia que eu mais me esqueço.
Só não deixei de te esquecer
Porque, em algum dia desses,
Eu te esqueço em uma
Tosse.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Traição

Estranhei o fato de a garota do colégio, que sempre usava suéter, estar vestindo moletom. Eu amava seus suéteres. O azul marinho segunda-feira era o meu preferido. Mas naquele dia o moletom cinza a convenceu melhor do que o vermelho quarta-feira. Pensei que fosse para combinar com o dia nublado, mas era primavera. Não há dias nublados na primavera. Foi atípico, assim como o moletom. Pensei que os seus suéteres estivessem de molho na máquina de lavar esperando a procrastinação ir embora, mas isso tem mais a minha cara do que a da garota do colégio. Quem se preocupa em usar suéteres também se preocupa em lavá-los sem procrastinar. Pensei que pudesse ter enjoado de suéteres, mas pessoas não enjoam de suéteres como quem enjoa delas mesmas. Voltei a pensar na procrastinação. Talvez ela tivesse feito mais uma vítima: a garota do colégio esqueceu o suéter vermelho quarta-feira de molho na máquina de lavar e o mesmo desbotou. Mas nada disso. Notei que os outros dias não eram mais dos suéteres. Os moletons a convenceram de vez. Sinto falta dos suéteres, principalmente do azul marinho, mas agora estou amando o moletom roxo e a quinta-feira.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sobre nós que não estão nos cadarços

Há indícios que comprovam
Que a falta do meu café preto
As mil (e uma) noites mal dormidas
A correspondência que nunca chega 
O moço do churros que se locomove sem aviso prévio 
Os pontos finais que não coloco a cada fim de frase
O "x" da matemática que eu nunca encontro
A paçoca que eu prometo comer uma vez (e como cem)
O lápis de olho borrado que eu sempre esqueço de tirar
Não se assimilam ao fato corriqueiro 
De os meus lábios secarem
Sempre que busco os seus. 
O tempo seco ajuda:
- Mas são sempre os seus.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Segunda pessoa do singular

Se eu lhe digo
Que o meu peito falha
No auge do meu rock
É porque eu lhe digo
Que fazem manhãs melhores
Do que as de antigamente
Desde que eu lhe digo
O quanto as cerejeiras
Deram frutos ao verem
Que eu lhe digo
As peripécias que
O meu cardíaco apronta
Ao notar que eu lhe digo
O real motivo desses
Versos livres voarem:
Tu.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A fulana roubou pão na casa do João

João,
quem dera que
o real motivo
da minha ida
até a sua casa
fosse o roubo 
de um pão
e não de um
coração.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Rota

Por onde anda o amor
Perambulando entre
As árvores do jardim, jardineira
Que eu rego na semana inteira
Ou pela metade, quem sabe
Não sou bom em fração
Fracionário coração
Que nos coloca em exatas, exatamente
Em um terço do que somos
Mas não sabemos orar, uma oratória
Que me diga por onde tu andas,
Amor.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015