domingo, 30 de março de 2014

Amiúde

Entre lençóis de memórias sem fim
Amiúde nos encontra outra vez
Mas em panos de danos escancarados
Viajou rastejante para o passado
E dessas memórias só nos resta lamentar
Em um cortejo de lágrimas negras
Umedece estas páginas amareladas
Pois a morte veio nos acalentar.

sábado, 15 de março de 2014

Tripas

Fez das tripas o coração,
Deixou-me farto.
- Quem sabe um dia desses
Eu não te esqueça em um infarto.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Borboletas

Essas asas que batem em meu estômago
Essas cores que inebriam os meus olhos
Essas dores que não passam com um beijo
Esses sorrisos que se vestem de saudade
Mas que não voltam com um beijo
Nem mesmo com as dores das ampulhetas
Mas quem sabe um dia desses 
Eu não voe entre as asas das borboletas.

sexta-feira, 7 de março de 2014

De todos os dias

De ferro
De luta
De onde vier
De todas as cores,
De todas as dores.

De sonhos
De pesadelos
De gritos abafados
De cada esquina
Desde menina.

Com sapato alto
Com os dedos no chão
Como preferir,
Sem desistir.

Com muitos e muitas
Com muito amor,
Mas como quiser
Que seja você, mulher!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Rapaz

Olha, rapaz, como ousa em pousar bem aqui
Onde não é chamado, nem requisitado
Visto-me de alegria todas as manhãs
Com requintes de crueldade para não me recordar
Do quanto foi cruel de sua parte
Levar embora o meu chapéu, o meu mel,
Mas não se atreva em ficar nessa sala,
Nesse ardor, nesse vasto calor
Que agora me obriga a dizer
A tamanha saudade que reina
Nessa vala, nessa ala
Na qual me visto todas as manhãs
Para não me recordar, rapaz,
De sua vasta crueldade em levar embora
O meu chapéu, o meu mel, parte do meu cordel.