segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Convencer

Vou me acampar
Nestes seus olhos
De brisa calma
De vida serena
Para me convencer
De que é o meu lugar
E que jamais
(em hipótese alguma)
Eu procure cravar
Esta minha alma vazia
Em outros olhos
Que não sejam esses
De brisa calma
De vida serena
Onde é o meu lugar.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Texto do leitor [1]

O texto de hoje vem de uma leitora, a lindíssima Brenda Calado.
Confesso que adoro o que ela escreve, mesmo sendo uma teimosa em achar que não escreve bem.
Obrigada por autorizar a postagem, e ó, escreva mais vezes. ♥


Ele queria escrever um texto bonito sobre os olhos castanhos de Carolina. Falaria sobre como eles o encantavam e o faziam suspirar ao ponto perder a razão, sobre todo o mistério que eles abrangem e todos os segredos que eles revelam, sobre como desfaziam toda a confusão em sua cabeça e, ao mesmo tempo, o confundiam. Carolina não sabia o efeito que os seus olhos tinham sobre o rapaz — e ele, talvez, também não.  Enquanto o rapaz tentava estupidamente fazer algo digno de admiração, a moça dos olhos castanhos dormia. Tão serena quanto o seu olhar, tão admirável quanto o texto que o moço tentava escrever. Fez algumas comparações infantis, metáforas sem sentido e suposições impossíveis. Pensou nas coisas mais bonitas do universo, mas só uma imagem voltava à sua mente. Concluiu que nunca conseguiria fazer um texto com a beleza que tentava, pois essa já existia em outro lugar: nos olhos castanhos de Carolina.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Sobre viver

Sobre viver 
Com a sua ida.
Sobreviver
Em contrapartida.

Sobre viver
Em tal melancolia.
Sobreviver
Enquanto você ria.

Sobre viver
Por entrelinhas.
Sobreviver
Em ventoinhas.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Moça Dora

Dora era assim: moça ajeitada
Bonita, simpática e bem humorada.
Vivia encubada em sua própria mente
Bela Dora, moça eloquente.

Dora era assim: um pouco de tudo
Mas quem diria que ganharia o mundo.
Diria que agora você a adora
Mas quem não adora a moça Dora?

Dora era assim: moça adorada
E quem não queria ser, camarada.
Preferia o ego à emoção
Moça Dora, por onde anda o seu coração?

Dora era assim: não era ela mesma
Todos esperavam essa tal surpresa.
Por onde anda Dora e toda sua sorte?
Não falo, não digo: que nos responda a morte.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Querido Noel

Querido Noel,

Este ano me comportei bem. Mas não venho lhe pedir uma bicicleta, nem mesmo a casa da Barbie ou dinheiro. Ajudei os velhinhos a atravessar a rua, disse "bom dia" para um estranho, fiz novas amizades, ri até as bochechas adormecerem. Senti borboletas no estômago, chorei de alegria e tristeza, escrevi para um amigo e senti saudade. A verdade é que estou aqui por este sentimento infame e impiedoso que é a saudade. Não aguento mais vê-la chegar sem pedir licença e ir se intrometendo neste negócio que bate forte ao sentir falta. Sinto falta de tanta coisa, seu Noel. Sinto falta do presente, do passado e do futuro que agora já se tornou antecedente. Peço que me presenteie com um pouco do meu eu passado, e diga-o que o eu de agora não se tornou veterinária, médica e nem dentista. Faça-o recordar dos joelhos ralados e o diga que quando a mamãe nos falou que a dor passaria, ela não estava mentindo. Deixe bem claro que aqui na frente tudo muda: os balões coloridos ficam acinzentados, as pessoas que amamos partem e o sapato da mamãe nos serve. Mas deixe bem claro que outras não mudam: a macarronada da vovó, o banho de chuva e os amores. Avise-o que no colégio fica pior. Passei a odiar exatas e o diga que agora humanas faz mais sentido. Não se esqueça de notificá-lo que os desenhos animados não deixaram de fazer a nossa alegria e que continuo não conseguindo fazer a risada do Pica-Pau. Pois é, seu Noel, disseram-me que tua barba era feita de algodão doce, mas tudo muda. Só a saudade que não. Diga ao meu eu passado que agora isso que aperta o peito tem nome e sobrenome. Era mais interessante quando não sabia a nomenclatura para isto. Mas peça que não se desespere: mamãe disse que quando casar, sará.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mal me quer

Retrocessos, vidas desperdiçadas
Viagens sem volta
Amores mal amados
Mortes por cólera
Por retrocessos de uma vida
Sem volta
Mal amada
Inacabada.

domingo, 10 de novembro de 2013

Solitária estrofe

Não te esperei, nem mesmo te procurei dentre os seres
Encontrei-te de forma sutil pelo horizonte mais profundo.
Decifrei os teus segredos, te descobri por debaixo dos ares 
As madeixas escuras que te escondem do mundo.
- Que bobagem essa minha de te descrever em versos.
Supliquei para mergulhar em teu sorriso novamente
O mesmo que colore a vida repleta de escuridão.
Termino esta única e solitária estrofe docemente
Por não caber dentro de uma canção.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Garota torta

Esta história, segundo boatos, era para ser única e exclusivamente sobre a garota de pernas tortas e vida reta. Atordoa-me o fato de dissertar sobre os teus olhos caramelo, tua boca cor cereja ou sobre tuas pernas tortas. Tracei teu destino, que hipocrisia, e deu de encontro ao infinito. Disseram-me que a garota não temia as trovoadas e nem mesmo o amor. Balela! Estremeceu as pernas tortas assim que a roda gigante deu partida. Quem teme roda gigante e não teme o amor? Garota torta! Que comparação perfeita quando se trata do mais lindo, puro e duro sentimento que bate na alma. Bate para nocaute, sem segundo round. Pobre de quem achar que está pronto para a próxima. O amor não te espera, bate para valer. Sacode-te para mostrar que a vida reta tem destas curvas. Pobre de ti, garota torta da vida reta!

sábado, 2 de novembro de 2013

Enfermidade

Distanciei dos nossos poros
Abracei o inimigo
Disse adeus ao senhor tempo
Escureci na pobre noite
Delirei de febre aguda
Procurei-te em forma de arte
Para te eternizar em parede sólida
Que em poema nos provou
O gosto amargo do que restou.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cativante

Observei-te adentrar a porta do apartamento 505. Não te fisguei com o olhar pelo costume rotineiro de apenas te notar nos mínimos detalhes. Teu andar me cativas. Chegou quieto, de passo firme, sem muita pressa. Pensei em elogiar o par de meias de seda contrastando com o tênis branco, mas que ironia da minha parte. A verdade é que o teu andar me cativas. Tornei-me adepta a te reconhecer somente pelo andar cativante que sorri em rápido compasso quando vem de encontro ao meu desconcertante passo. Não é pelas coxas grossas, nem mesmo pela canela fina um tanto quanto cômica, mas teu andar me cativas. Talvez seja por culpa das estações do ano, pela morte de Julieta, mas fico com o teorema de que me cativas pelo fato de ser teu.

domingo, 27 de outubro de 2013

(Des)concordância

Ora, que falta de concordância nominal 
E rudemente sentimental. 
Desfrutei da tua alma doce. 
Viajei com passagem de ida com destino ao teu olhar. 
Perdi-me em teus lábios sabor pêra, 
Encontrei-me em tua alma cor de mel. 
Desperdicei horas de sono buscando 
O pretérito perfeito para telefonar-te. 
Mas o tal pronome reto avisou-me: 
- Primeira pessoal do plural não te resta mais.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Devaneio

Despertei do sono agudo
Para consagrar que
Ao meu lado não te restava mais
Despertei pela dor, não pela falta.
Refiz meu pericárdio à mão
Esbanjei alegria ao bem-te-vi
Postei cartões postais para a saudade
Mas não pela dor, pela falta.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Com carinho, eu

Chegou de Ipanema
Sem me dar um telefonema
Desculpou-se com dois beijos
Satisfez os meus desejos
Desfrutei do amargo ócio
Não te aceito como negócio
Quem sabe em outra história
Você seja minha, Vitória.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Não tem jeito, Chico

Não tem jeito, não
A saudade bateu aqui
Como quem quer ficar
Sem desculpas do por que
Um dia foi e não quis voltar.
Não tem jeito, não
Preferi te guardar no peito
Ao invés de te procurar
Em canções de Chico
Só me peça para ficar
Que desta vez eu fico
Não tem jeito, não.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Parte de mim

Jurei para mim
Que não viveria mais assim
Até mesmo se eu for para o inferno
Mas logo agora que você, lindo inverno,
Se foi para bem longe juntamente do ardume
O mesmo doce e vigarista perfume 
Que jurou assim
Não levar parte de mim.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Onze

Teu abraço disse adeus
Com tuas tralhas
Juntamente com o mês onze
Doce, amargo, mas
teu.
Restaram apenas
Dois rumos, uma história
Daquele dia cinco
Doce, amargo, mas
nosso.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Inverno

Olhando assim, bem ao fundo dos teus olhos,
Eu tive a certeza de que é você
E certeza que foi com você que eu
Perdi a noção do quanto os ponteiros
Do relógio correram no último mês, mas
Olhando assim, bem ao fundo dos teus olhos,
Eu não reclamei de ter perdido o verão,
E as flores ao chão do meu querido outono,
Mas te invejei por não ter perdido o inverno
Aquele inverno em que me perdi
Olhando assim, bem ao fundo dos teus olhos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Gosto

É estranho, pode até parecer estranho, mas prefiro teu arroz queimado ao invés da macarronada da mamãe aos domingos. Prefiro ver tuas roupas jogadas na cama ao deixar o lençol lisinho com a pelúcia que me deu como enfeite. Até que ando sentindo falta do teu café sem gosto e das tuas revistas semanais sobre esportes. Falaram que ando na pior por não ter que reclamar do pequeno espaço que me sobra quando se deita ao meu lado. Não é estranho, pode até parecer estranho, mas eu te prefiro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Maresia

Fui para longe, para qualquer lugar
Decidi que já não era hora de ficar.
Quem sabe outra vez, em outro outono
Eu permaneço perto de ti sem o abandono.
Não era de costume, nem mesmo na poesia
Retratar o meu amor feito uma maresia.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Adeus, Helena!

Sexta feira treze. Dia de sol, dia de chuva. Dizem por aí que é casamento de viúva. Não me apego a certos ditados, mas confesso que esse me agrada. Primavera. Mas quem vê uma primavera nesse país? País de duas estações. Ás vezes ao mesmo dia, como hoje no casamento da viúva Helena. Helena a viúva noiva do viúvo João. Perderam teus amores há cinco anos cada. Conheceram-se há pelo menos dois. Hora de chuva. Helena estava bela, João uma fera. Teu terno encharcou. Confesso que foi culpa minha. Não é ciúmes, não mesmo. Hora de sol. Helena caminhou docemente até o altar. João estava ansioso. Pousei ao teu lado e fiz questão de não respirar para que não notasse a minha presença. Helena chorava de emoção, sempre foi uma manteiga derretida. João pegou em seu braço e disfarçou as lágrimas que escorreram dos seus olhos. A aliança estava um pouco apertada. Helena engordou. Posso escutar as fofocas sobre a barriguinha discreta da doce Helena. Vem aí um João Filho. Não será tão esperto e charmoso como o pequeno de sete anos ao lado esquerdo de Helena. Hora de partir. O casório estava lindo, João nem tanto. É, talvez eu esteja um pouco enciumado. Vê se não esquece o arroz no fogo quando colocar Beatles para tocar. Cabeça de vento, mal de viúva jovem. Adeus, Helena!

domingo, 29 de setembro de 2013

Afeto

Se eu pudesse, não te escolheria.
Não por falta de senso
Muito menos de afeto.

Afeto.

Por muito afeto de menos
Que eu não te escolheria.
Afeto demais, por feito de menos.

1,70 de sol

Mas quem diria que apenas de ida
Com tua madeixa colorida
Você chegaria com teus olhos
Cor de céu
Com esse modo sabor mel.

E quem realmente diria, linda menina
Que eu adoraria a anilina, 
A mesma que colore os teus fios,
A que tem cheiro de eca,
Mas eu não me importo se vier ficar careca.

Eu realmente diria, doce guria
Que os teus 1,70 de sol
Tão graciosa quanto um girassol
Surgisse do primor
O mais puro e belo amor.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nosso tempo

Em tempos de amor, sanidade é para poucos.
Em tempos de ódio, insanidade é para muitos.
Em tempos de guerra, sorrisos é para quem pode.
Em tempos de paz, bandeira branca, amor.
Em tempos de música, choro na praça.
Em tempos de tempo, na há tempo para o tempo.

domingo, 22 de setembro de 2013

A falta (a tua)

Hoje pela manhã estranhei o fato de não encontrar-te debruçado no balcão da cozinha comendo pão com mortadela no café. Estranhei mais ainda não ter me irritado com a toalha molhada no braço do sofá ou até mesmo pela cueca jogada na porta do banheiro. Não que eu esteja achando que algo está faltando, mas senti falta. Não que a falta seja tua, mas estranhei ao ver as chaves intactas no chaveiro e não por cima da mesa como o de costume. Notei que não precisei reclamar sobre o abajur estar ligado e nem pelos sapatos estarem por toda a casa. Precisei fazer o chá de ervas, mas meu paladar pediu o teu de hortelã que deixa a língua melada de tão doce. Mas doce seria se eu não estranhasse o fato de você estar debruçado no balcão da cozinha comendo pão com mortadela no café ou até mesmo pelos sapatos estarem por toda a casa, ao invés de sentir a falta, mesmo que não seja a tua.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Só pensei

Ei, desculpe o incômodo, mas gostaria de lhe dizer que a falta de você não chegou até mim. Pensei em ter insônia, falta de fome, vertigem, ânsia, mas comi. Pensei em ter você de volta, em chegar ao quarto e te ver estatelado ocupando a cama inteira, em brigar contigo por conta de política, mas briguei com o porteiro tucano. Pensei em sentir falta, em chorar de saudade, em te ligar em prantos na madrugada, mas só pensei.

domingo, 15 de setembro de 2013

Jobim gargalharia

Entreabri a janela do quinto andar ao anoitecer e lá estava você, debruçado na sacada de mármore cantarolando bossa nova como quem chama o luar. Sorri em aprovação pelo tom desafinado que, francamente, Jobim gargalharia. Olhou em meus olhos e buscou uma resposta convincente pelo sorriso em aprovação pelo tom desafinado, então gargalhei como Jobim gargalharia. Cantarolou Chico ao mesmo tom desafinado que Jobim gargalharia, mas eu apenas sorri com meus olhos de comer fotografia. Cantarolou afinado a nota si que mais parecia ser sobre si mesmo, mas debrucei-me pela janela e te acompanhei na nota sol, sol que despertava o cantarolar do bem te vi no parapeito da janela do quinto andar nos avisando que o raiar do dia descansou o luar.

sábado, 7 de setembro de 2013

0709

Teus olhos marejaram.
Estavam cansados de despedidas.
Teus olhos aos meus vidraram:
- Na próxima venha somente de ida.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Abraço (o teu)

Ao abraçar o raiar do dia,
pude ver que lá adiante
havia um horizonte 
mas um horizonte que lá adiante
não me abraçava como o raiar do dia.

Então beijei o anoitecer.
Senti que o luar chamava-me
para cair em teus braços,
mas cai em outros
e notei que era o teu abraço.

domingo, 1 de setembro de 2013

Sete minutos

Diga que chegará com tom de surpresa e pelo menos dessa vez eu deixo você escolher aquela cafeteria do café fraco que você adora, por gentileza assisto a tua comédia romântica favorita sem ao menos cochilar aos sete minutos de filme, juro que durmo ao lado esquerdo da cama sem reclamar que o vento que vem de fora me deixará resfriada, de boa vontade lavo a louça suja do jantar sem choramingar que já havia lavado a do almoço, mas de brinde lhe prometo que devolvo o beijo que roubei ao mesmo tom de surpresa em que chegou.

domingo, 25 de agosto de 2013

Na pior

Pensei em abrir a porta querendo te encontrar sentado na tua poltrona tão entusiasmado com o jornal das 19hrs a ponto de não me notar adentrando pela sala com a tua terceira pizza preferida, porém fria. Pensei em ter escutado você resmungar o fato de que o teu time do coração já esteve melhor. E eu pensando que estava na pior, lá estava você, na cozinha preparando macarrão instantâneo para o jantar ao som do quebrar dos ovos mexidos como acompanhamento. Mas ao abrir a porta, você estava sentado na tua poltrona tão entusiasmado com o jornal das 19hrs, que ao me notar chegar com a tua terceira pizza preferida, porém fria, resmungou pelo fato do teu time do coração estar na pior: fiz miojo com ovos para o jantar.

sábado, 24 de agosto de 2013

Sobre lembranças vazias

Mas eu estava aqui revirando o passado e encontrei-me dentro de uma caixa cheia de lembranças vazias de um eu que se foi juntamente a ti. Só lhe peço que volte, mas volte sem mim, meu bem. Volte para buscar o resto do meu eu vazio, e em troca deixe-me ficar com a caixa de lembranças cheias de um eu nostálgico. Porém deixe-me um abraço para que eu jamais esqueça o quanto foi bom esquecer-me de ti e do teu eu vazio.

domingo, 18 de agosto de 2013

Jabuticaba

Ah, mas quem resiste a estes olhos de jabuticaba que clamam a saudade
E que saudade desta alma sem pudor para o amor
Quanto amor nesta alma de jabuticaba com gosto de algo tão doce
De algo tão doce você ganhou-me sorrindo
Sorriu tímida como quem não parte
Mas partiu com timidez para o meu lado esquerdo
E este lado esquerdo de tão teu, juntou-te a mim.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Para não voltar (e que não volte)

Chegou como quem chega de Marte
Revirou-me pelo avesso como quem revira a dor
Insistiu em ficar como quem insiste em arte
Beijou-me como quem beija flor
Pegou-me pelos dedos como quem almeja o carinho
Dissertou a vida como quem disserta sobre amar
Deitou-se ao leito como quem deita sozinho
Foi-se como quem vai para não voltar.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Rolling Stones

Encontrei-te em livros de Machado, nos olhos de Capitu, nas memórias de Brás Cubas.
Encontrei-te em nova, crescente, cheia, mas te perdi em minguante.
Encontrei-te em Caetano, Chico, Elis e até mesmo em Rolling Stones.
Encontrei-te em Fevereiro, Março, Abril, mas te perdi em Setembro.
Encontrei-te em eu, tu, ele e te prendi em nós. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sinfonia

DÓrothi e sua desilusão
RÉstaram dois sustenidos
MIcrofonia em teu coração
FÁz de ti teu pranto
SOL pela janela
LÁ adiante teu desencanto
SInfonia sem melodia
DÓrothi já não mais havia.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Conte-me

Conte-me o que lhe agrada
O que lhe faz desejar-me
O que lhe faz despertar a angústia
Dentro de um peito ansioso por almejar o frescor do teu hálito.

Conte-me o que lhe trás de volta
Depois de partir atrás de anseios,
O que lhe deixa com arrepios sobre a espinha
O que lhe faz fisgar tuas unhas em minha pele gélida.

Conte-me o mistério dos teus olhos aos meus
O que lhe faz entreabrir os lábios
Para dizer o adeus em tua garganta seca
O que lhe faz esquecer tua jaqueta em meu cômodo
Para voltar novamente em meus braços.

Larissa

Era por meados de agosto, quinta feira talvez. O clarão por entre os galhos vinha da enorme lua que se formara ao alto. Lá adiante estava Romeu, o felino siamês de olhos grandes e intrigantes como os de Larissa, a garota de cabelos negros e pele pálida, tão pálida quanto agosto.

Larissa seria capaz de acordar a metrópole sombria do felino Romeu com o barulho ensurdecedor dos seus pensamentos embaralhados sobre tudo e sobre nada, tão tudo e tão nada quanto agosto.

Agosto, por insensatez, entardeceu seus dias tão pálidos, tão tudo e tão nada que de desgosto resolveu partir na quinta feira amarga, mas que se tornara uma sexta doce, tão doce quanto setembro.