segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Querido Noel

Querido Noel,

Este ano me comportei bem. Mas não venho lhe pedir uma bicicleta, nem mesmo a casa da Barbie ou dinheiro. Ajudei os velhinhos a atravessar a rua, disse "bom dia" para um estranho, fiz novas amizades, ri até as bochechas adormecerem. Senti borboletas no estômago, chorei de alegria e tristeza, escrevi para um amigo e senti saudade. A verdade é que estou aqui por este sentimento infame e impiedoso que é a saudade. Não aguento mais vê-la chegar sem pedir licença e ir se intrometendo neste negócio que bate forte ao sentir falta. Sinto falta de tanta coisa, seu Noel. Sinto falta do presente, do passado e do futuro que agora já se tornou antecedente. Peço que me presenteie com um pouco do meu eu passado, e diga-o que o eu de agora não se tornou veterinária, médica e nem dentista. Faça-o recordar dos joelhos ralados e o diga que quando a mamãe nos falou que a dor passaria, ela não estava mentindo. Deixe bem claro que aqui na frente tudo muda: os balões coloridos ficam acinzentados, as pessoas que amamos partem e o sapato da mamãe nos serve. Mas deixe bem claro que outras não mudam: a macarronada da vovó, o banho de chuva e os amores. Avise-o que no colégio fica pior. Passei a odiar exatas e o diga que agora humanas faz mais sentido. Não se esqueça de notificá-lo que os desenhos animados não deixaram de fazer a nossa alegria e que continuo não conseguindo fazer a risada do Pica-Pau. Pois é, seu Noel, disseram-me que tua barba era feita de algodão doce, mas tudo muda. Só a saudade que não. Diga ao meu eu passado que agora isso que aperta o peito tem nome e sobrenome. Era mais interessante quando não sabia a nomenclatura para isto. Mas peça que não se desespere: mamãe disse que quando casar, sará.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mal me quer

Retrocessos, vidas desperdiçadas
Viagens sem volta
Amores mal amados
Mortes por cólera
Por retrocessos de uma vida
Sem volta
Mal amada
Inacabada.

domingo, 10 de novembro de 2013

Solitária estrofe

Não te esperei, nem mesmo te procurei dentre os seres
Encontrei-te de forma sutil pelo horizonte mais profundo.
Decifrei os teus segredos, te descobri por debaixo dos ares 
As madeixas escuras que te escondem do mundo.
- Que bobagem essa minha de te descrever em versos.
Supliquei para mergulhar em teu sorriso novamente
O mesmo que colore a vida repleta de escuridão.
Termino esta única e solitária estrofe docemente
Por não caber dentro de uma canção.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Garota torta

Esta história, segundo boatos, era para ser única e exclusivamente sobre a garota de pernas tortas e vida reta. Atordoa-me o fato de dissertar sobre os teus olhos caramelo, tua boca cor cereja ou sobre tuas pernas tortas. Tracei teu destino, que hipocrisia, e deu de encontro ao infinito. Disseram-me que a garota não temia as trovoadas e nem mesmo o amor. Balela! Estremeceu as pernas tortas assim que a roda gigante deu partida. Quem teme roda gigante e não teme o amor? Garota torta! Que comparação perfeita quando se trata do mais lindo, puro e duro sentimento que bate na alma. Bate para nocaute, sem segundo round. Pobre de quem achar que está pronto para a próxima. O amor não te espera, bate para valer. Sacode-te para mostrar que a vida reta tem destas curvas. Pobre de ti, garota torta da vida reta!

sábado, 2 de novembro de 2013

Enfermidade

Distanciei dos nossos poros
Abracei o inimigo
Disse adeus ao senhor tempo
Escureci na pobre noite
Delirei de febre aguda
Procurei-te em forma de arte
Para te eternizar em parede sólida
Que em poema nos provou
O gosto amargo do que restou.