quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Corcel

Esta manhã senti tamanha saudade
Saudade de você, do padeiro,
Da dona Rosa e do forasteiro.

Esta manhã abracei tamanha saudade
Saudade do seu humor, do pão de mel,
Dos nossos abraços e do seu Corcel.

Esta manhã li tamanha saudade
Saudade dos cartões postais, da bossa nova,
Da voz de Jobim e de nossa alcova.

Esta manhã alimentei tamanha saudade
Saudade de nós, de jasmim,
De você e de mim.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Você

Lucas acordou nesta manhã
Pensando em quem iria ser
O de ontem ou o de amanhã
Ou o que melhor nos convencer.

Lucas escolheu ser o do outono
Para ver suas escolhas 
Fugirem do abandono.

Mas Lucas despertou nesta manhã
E se esqueceu do abandono
Escolheu ser o de amanhã
Para reviver este outono.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Joana

Certo dia, Joana cansou de ser o que queriam:
Bebeu até chorar
Amou até sofrer
Cantou até rouquejar.

Certo dia, Joana viveu o que não queriam:
Beijou até sorrir
Dançou até cansar
Rodopiou até cair.

Certo dia, Joana acordou para o que não queriam:
Chorou até dançar
Beijou até amar
Viveu até sorrir.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Brainstorm

Andei sem olhar para trás, não que eu me arrependa, mas deixei de viver amores, de viver momentos ou de ter vivido em outra galáxia. Acordei sem ter sonhado, queria ao menos me encontrar em devaneios, pesadelos ou em paraísos sem volta. Viajei em palavras distintas, me perdi por quilômetros de poesias e te encontrei em contos de uma página perdida em uma noite de outono. Encontrei-me em furacões de sentimentos que me derrubam a cada afeto, a cada devaneio sem volta e a cada palavra que me corrói por dentro, não que eu me arrependa, mas esqueci de andar sem olhar para trás.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Achado

De onde você veio?
Em qual estação desembarcou?
Mas me diga de onde você veio
Para que eu possa te encontrar
Quando chegar outro verão
Mesmo que seja em outra plataforma,
Outra galáxia
Ou até mesmo
Em outra paixão.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Embriaguez

Pedi ao tempo que chegasse sem pressa,
Que passasse com demora,
Mas que te deixasse ir embora
Para cumprir sua promessa.

Não diga que agora eu errei,
Mas quem sabe você esteja certo
O tempo não me disse que era correto
Soltar as mãos de quem um dia eu amei.

Só lhe digo uma verdade:
Ontem abri minha algema
Que agora neste poema
Disserto sobre a minha liberdade.

Volte mais uma só vez
Para pegar a sua chave
Antes que isso se torne mais grave
E experimente desta embriaguez.