quarta-feira, 31 de julho de 2013

Conte-me

Conte-me o que lhe agrada
O que lhe faz desejar-me
O que lhe faz despertar a angústia
Dentro de um peito ansioso por almejar o frescor do teu hálito.

Conte-me o que lhe trás de volta
Depois de partir atrás de anseios,
O que lhe deixa com arrepios sobre a espinha
O que lhe faz fisgar tuas unhas em minha pele gélida.

Conte-me o mistério dos teus olhos aos meus
O que lhe faz entreabrir os lábios
Para dizer o adeus em tua garganta seca
O que lhe faz esquecer tua jaqueta em meu cômodo
Para voltar novamente em meus braços.

Larissa

Era por meados de agosto, quinta feira talvez. O clarão por entre os galhos vinha da enorme lua que se formara ao alto. Lá adiante estava Romeu, o felino siamês de olhos grandes e intrigantes como os de Larissa, a garota de cabelos negros e pele pálida, tão pálida quanto agosto.

Larissa seria capaz de acordar a metrópole sombria do felino Romeu com o barulho ensurdecedor dos seus pensamentos embaralhados sobre tudo e sobre nada, tão tudo e tão nada quanto agosto.

Agosto, por insensatez, entardeceu seus dias tão pálidos, tão tudo e tão nada que de desgosto resolveu partir na quinta feira amarga, mas que se tornara uma sexta doce, tão doce quanto setembro.