Sexta feira treze. Dia de sol, dia de chuva. Dizem por aí
que é casamento de viúva. Não me apego a certos ditados, mas confesso que esse
me agrada. Primavera. Mas quem vê uma primavera nesse país? País de duas
estações. Ás vezes ao mesmo dia, como hoje no casamento da viúva Helena. Helena
a viúva noiva do viúvo João. Perderam teus amores há cinco anos cada. Conheceram-se
há pelo menos dois. Hora de chuva. Helena estava bela, João uma fera. Teu terno
encharcou. Confesso que foi culpa minha. Não é ciúmes, não mesmo. Hora de sol.
Helena caminhou docemente até o altar. João estava ansioso. Pousei ao teu lado
e fiz questão de não respirar para que não notasse a minha presença. Helena
chorava de emoção, sempre foi uma manteiga derretida. João pegou em seu braço e
disfarçou as lágrimas que escorreram dos seus olhos. A aliança estava um pouco
apertada. Helena engordou. Posso escutar as fofocas sobre a barriguinha
discreta da doce Helena. Vem aí um João Filho. Não será tão esperto e charmoso
como o pequeno de sete anos ao lado esquerdo de Helena. Hora de partir. O
casório estava lindo, João nem tanto. É, talvez eu esteja um pouco enciumado.
Vê se não esquece o arroz no fogo quando colocar Beatles para tocar. Cabeça de
vento, mal de viúva jovem. Adeus, Helena!
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