quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Adeus, Helena!

Sexta feira treze. Dia de sol, dia de chuva. Dizem por aí que é casamento de viúva. Não me apego a certos ditados, mas confesso que esse me agrada. Primavera. Mas quem vê uma primavera nesse país? País de duas estações. Ás vezes ao mesmo dia, como hoje no casamento da viúva Helena. Helena a viúva noiva do viúvo João. Perderam teus amores há cinco anos cada. Conheceram-se há pelo menos dois. Hora de chuva. Helena estava bela, João uma fera. Teu terno encharcou. Confesso que foi culpa minha. Não é ciúmes, não mesmo. Hora de sol. Helena caminhou docemente até o altar. João estava ansioso. Pousei ao teu lado e fiz questão de não respirar para que não notasse a minha presença. Helena chorava de emoção, sempre foi uma manteiga derretida. João pegou em seu braço e disfarçou as lágrimas que escorreram dos seus olhos. A aliança estava um pouco apertada. Helena engordou. Posso escutar as fofocas sobre a barriguinha discreta da doce Helena. Vem aí um João Filho. Não será tão esperto e charmoso como o pequeno de sete anos ao lado esquerdo de Helena. Hora de partir. O casório estava lindo, João nem tanto. É, talvez eu esteja um pouco enciumado. Vê se não esquece o arroz no fogo quando colocar Beatles para tocar. Cabeça de vento, mal de viúva jovem. Adeus, Helena!

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