O verde
Parecido com o azul
Que se confunde
Com o cinza da nuvem
Que paira em minha mente
Feito o vermelho
Que passa em minhas veias
Tão imperceptível
Quanto o roxo que apareceu
Em minha coxa
Causado pelo desastre amarelo
Que sou em pessoa,
Mas nada se compara
Com o lilás
Que insiste em aparecer
Quando selo
Sua bochecha.
quinta-feira, 26 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
A visita
Pedi que não se assustasse
Quando olhasse o meu lado
Mais escuro
Tipo a luz do quarto
- Queimada há dias -
Ou
Como a cor dos seus olhos
Quando olho
Assim,
Devagarinho,
Feito domingo,
Esse dia que passa
Assim,
Devagarinho,
Mas não se apavore:
Troco a lâmpada
Quando quiser
Entrar.
Quando olhasse o meu lado
Mais escuro
Tipo a luz do quarto
- Queimada há dias -
Ou
Como a cor dos seus olhos
Quando olho
Assim,
Devagarinho,
Feito domingo,
Esse dia que passa
Assim,
Devagarinho,
Mas não se apavore:
Troco a lâmpada
Quando quiser
Entrar.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Respeitável público
Engraçado como o teu olhar
Faz malabares dentro
Do meu peito palhaço
- Sem graça -
Sempre que você passa
Brincando no trapézio
Das minhas cordas vocais
Impedindo-me de dizer
Que tu és o meu melhor
Espetáculo.
Faz malabares dentro
Do meu peito palhaço
- Sem graça -
Sempre que você passa
Brincando no trapézio
Das minhas cordas vocais
Impedindo-me de dizer
Que tu és o meu melhor
Espetáculo.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Xarope
Esqueci que era terça-feira
E trouxe o material da quarta,
Mas me lembrei do cartão,
Que eu sempre esqueço
E acabo barrado na portaria.
Difícil é esquecer o guarda-chuva
Quando a sua mãe diz que vai chover.
Acredite: vai chover!
Tomei chuva, adoeci e esqueci
- Mais uma vez -
De comprar o remédio,
Que nunca sara o meu resfriado.
Jurei também que te esqueceria
- E esqueci -
Mas é terça-feira,
O dia que eu mais me esqueço.
Só não deixei de te esquecer
Porque, em algum dia desses,
Eu te esqueço em uma
Tosse.
E trouxe o material da quarta,
Mas me lembrei do cartão,
Que eu sempre esqueço
E acabo barrado na portaria.
Difícil é esquecer o guarda-chuva
Quando a sua mãe diz que vai chover.
Acredite: vai chover!
Tomei chuva, adoeci e esqueci
- Mais uma vez -
De comprar o remédio,
Que nunca sara o meu resfriado.
Jurei também que te esqueceria
- E esqueci -
Mas é terça-feira,
O dia que eu mais me esqueço.
Só não deixei de te esquecer
Porque, em algum dia desses,
Eu te esqueço em uma
Tosse.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Traição
Estranhei o fato de a garota do colégio, que sempre usava suéter, estar vestindo moletom. Eu amava seus suéteres. O azul marinho segunda-feira era o meu preferido. Mas naquele dia o moletom cinza a convenceu melhor do que o vermelho quarta-feira. Pensei que fosse para combinar com o dia nublado, mas era primavera. Não há dias nublados na primavera. Foi atípico, assim como o moletom. Pensei que os seus suéteres estivessem de molho na máquina de lavar esperando a procrastinação ir embora, mas isso tem mais a minha cara do que a da garota do colégio. Quem se preocupa em usar suéteres também se preocupa em lavá-los sem procrastinar. Pensei que pudesse ter enjoado de suéteres, mas pessoas não enjoam de suéteres como quem enjoa delas mesmas. Voltei a pensar na procrastinação. Talvez ela tivesse feito mais uma vítima: a garota do colégio esqueceu o suéter vermelho quarta-feira de molho na máquina de lavar e o mesmo desbotou. Mas nada disso. Notei que os outros dias não eram mais dos suéteres. Os moletons a convenceram de vez. Sinto falta dos suéteres, principalmente do azul marinho, mas agora estou amando o moletom roxo e a quinta-feira.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Sobre nós que não estão nos cadarços
Há indícios que comprovam
Que a falta do meu café preto
As mil (e uma) noites mal dormidas
A correspondência que nunca chega
O moço do churros que se locomove sem aviso prévio
Os pontos finais que não coloco a cada fim de frase
O "x" da matemática que eu nunca encontro
A paçoca que eu prometo comer uma vez (e como cem)
O lápis de olho borrado que eu sempre esqueço de tirar
Não se assimilam ao fato corriqueiro
De os meus lábios secarem
Sempre que busco os seus.
O tempo seco ajuda:
- Mas são sempre os seus.
Que a falta do meu café preto
As mil (e uma) noites mal dormidas
A correspondência que nunca chega
O moço do churros que se locomove sem aviso prévio
Os pontos finais que não coloco a cada fim de frase
O "x" da matemática que eu nunca encontro
A paçoca que eu prometo comer uma vez (e como cem)
O lápis de olho borrado que eu sempre esqueço de tirar
Não se assimilam ao fato corriqueiro
De os meus lábios secarem
Sempre que busco os seus.
O tempo seco ajuda:
- Mas são sempre os seus.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
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